Sabemos que na vida alguém, algum dia irá quebrar seu coração em pedacinhos tão pequenos que você achará que não tem como juntar tudo novamente. Mas tem! Quem já passou por isso sabe que tem. Mesmo ele ali, fraquinho e cheio de remendos ele irá funcionar novamente e quem sabe até se quebrar novamente, e assim, mais uma vez se reconstituirá.
Pois bem, eu já tive meu coração quebrado algumas vezes. Lógico que quando eu tinha 12 anos e achava que ia morrer de amor por um garotinho da escola que tinha uma namorada, mas eu jurava que ele também sentia alguma coisa por mim, aqui passou depois de um coração quebrado. De leve, mas nossa como doeu e eu achava que aquela era a pior dor do mundo. Mal sabia eu no auge da minha inocência pré-adolescente que anos mais tarde tudo ia piorar. Depois daquela vez o coitado do meu coração só sofreu mais e mais e cada vez mais.
Sabemos também que, se alguém quebrou o nosso coração, significa que provavelmente já quebramos o coração de alguém. Bom, eu sabia que isso já tinha acontecido com alguns poucos carinhas que passaram pela minha vida nesses longos anos de paixonites, amizades e romances, mas nunca foi algo dito em alto e bom som – ou pelo MSN mesmo. Achar que alguém está triste ou coisa do tipo por você não querer mais que uma amizade é uma coisa, agora quando o mesmo diz isso pra você… Nossa, eu fiquei bem mexida. Não foi pena, porque eu não mudaria nada do que aconteceu entre ele e eu. Não era pra ser, ainda mais como foi, talvez em outra situação e ele mudando muito a forma dele de pensar e de me julgar… Mas a questão não é essa, a questão é: Eu já quebrei o coração de alguém. E saber disso me fez pensar nos que quebraram o meu coração. Eu sou igual a eles ou eles igual a mim? Porque sempre julgamos mal quem quebra nosso coração, e sei que ele me julgou mal, ele teve raiva de mim assim como eu tive de quem quebrou o meu coração. Mas eu também sei que o que eu fiz não foi por mal, eu não queria magoar ninguém, só aconteceu. Eu não tive culpa se ele se apegou demais a mim, se ele se apaixonou e criou expectativas em cima de uma relação que estava apenas dando os primeiros passos tímidos. Eu não tenho culpa. Mas por que eu culpo quem quebrou o meu coração? Vai ver a pessoa estava na mesma situação que eu estava, se sentindo sufocado por outra pessoa que queria muito mais você. Não estou defendendo os “quebradores de corações”, ainda mais os que quebraram o meu, só não quero ser igual a eles. Talvez a diferença esteja aí. Olha eu escrevendo um texto por me sentir culpada por um coração que eu parti há dois anos. Aposto que quem partiu o meu – além de não saber que me fez chorar por alguns dias e que ainda tenho raiva dentro de mim, porque sei perdoar, mas não sei esquecer – não deve se sentir nem um pouco mal por isso.
Sabe o filme da “500 days Of Summer”, depois dessa conversa de semana passada pude entender o porque ele dizia que quando via o filme lembrava-se de mim. Eu era a Summer dele. Ele era um Tom apaixonado por uma Summer que não queria nada além de uma amizade. Ele era um Tom com raiva da Summer porque a Summer partiu o coração dele, a Summer queria outro, a Summer gostava mesmo de outro. Mas, como no filme, a vida real deu um final feliz para o Tom que depois de um coração partido conseguiu juntar seus pedacinhos e está feliz com a sua Autumn. E eu mesmo assim não consigo parar de pensar que, mesmo sendo descrita como uma Zooey Deschanel me tornei de alguma forma (mais uma vez) a megera da história. Porque eu sempre sou a má.













